Traços Trajetos Travessias

Com obras de Ana Matheus Abbade, Clara Benfatti, Guilherme Wentz e Thamiris Mandú, “Traços Trajetos Travessias” apresenta um conjunto de práticas que se situam no encontro entre arte e design.
A exposição se constrói a partir do traço como linguagem inaugural e como estrutura, entendendo-o não apenas como gesto, mas como pensamento em formação.
Ao atravessar o racional, o orgânico e o intuitivo, o traço revela processos e deslocamentos. As obras evidenciam zonas de contato onde projeto e experimentação se contaminam, tensionando limites disciplinares e ampliando as possibilidades de leitura do objeto.
Com curadoria de Carollina Lauriano e Melina Romano, a mostra organiza esses percursos como um campo de convergência, acompanhando investigações que encontram no diálogo entre arte e design um modo de construir sentido e permanência.
- Artistas
Ana Matheus Abbade
Clara Benfatti
Guilherme Wentz
Thamiris Mandú- Curadoria
Carollina Lauriano
Melina Romano- Ano
2025
Um traço pode referir-se ao ato de desenhar um esboço. Um desenho preliminar, ou o próprio jeito de desenhar de uma pessoa. Um pequeno segmento de linha, uma característica distintiva. Traço é também a proporção de materiais numa mistura de construção, ou à soma dos elementos da diagonal principal de uma matriz.
Em determinado contexto, traço também pode ser compreendido como sendo sinônimo de linha. Essa sucessão de pontos que criam formas, definem contornos e trazem uma ideia de movimento.
Trazemos esse breve pensamento sobre o traço, pois ele é o ponto inicial não somente para uma discussão formal desta exposição. Antes de ser esboço, ou o desenho, aqui, o traço também assume um papel subjetivo nas intersecções entre os trabalhos de Ana Matheus Abbade, Clara Benfatti, Guilherme Wentz e Thamiris Mandú, em busca de identificar quais cruzamentos possíveis entre a arte e o design.
Pensando nas aproximações conceituais, o traço surge como um primeiro ponto em comum entre os artistas e designers, surgindo tanto como o esboço que antecede ao objeto final, mas também como a própria obra em si, como é o caso dos trabalhos de Ana Matheus Abbade e Clara Benfatti, que tomam o desenho como pensamento que estrutura a investigação de suas práticas artísticas, muito embora as artistas não se limitam a nos apresentar uma concepção denotativa do que entendemos como desenho, mas nos trazendo outras camadas interpretativas.
Se nesse aspecto, as obras das artistas apresentam pontos que se conectam sugerindo um trajeto, sendo o traço - ou a linha - a "memória" ou o rastro desse deslocamento, o conjunto de trabalhos proposto por Guilherme Wentz revela uma síntese dessa memória. Se para Ana Matheus e Clara, traço é expansão, Guilherme aponta como para o design, o traço parece ser um recurso importante para reafirmar a função dos objetos.
Nesses gestos de expansão e contração desses trajetos, Thamiris Mandú aponta que esses rastros de deslocamento ressoam entre os dois campos, como se ela nos provocasse a pensar que mais importante do que apontar diferenças, ganha-se quando estabelecemos uma relação de colaboração e caminhar juntos.
Se a arte e o design possuem caminhos distintos de se estabelecer, é desse atravessamento que surge a grandeza de pensar os objetos em sua potência.
Carollina Lauriano e Melina Romano



































